Meu sono é sempre leve
Pra que ninguém não leve
Meus sonhos
Meu sono é sempre leve
Pra que ninguém não leve
Meus sonhos
Às gotas do oceano
Uma prece
Um poema
Às frágeis gotas da garoa
Um pedido, um desejo.
À pequenez de minha musa
À infinitude de sua fragilidade...
Fina, transparente, ela quase não existe.
Uma gota, uma garoa
Que me cai toda noite

Meus rabiscos viram poemas
Quando sua voz vira música
E nossa rua, a lua.
Quando te imagino além
Do seu tímido sorriso
Numa manhã de domingo
Meu canto desafinado é canção
Quando as asas da imaginação
Te fazem mais que um sonho
E te sinto Bia
Rumo ao infinito de um toque em sua mão
Minha mão viaja por mundos submersos
Na sofreguidão dos tempos
Um momento que ecoa nas noites sozinhas
De esmola
No vento

De bicicleta
A criança passa na rua
Num vai-e-vem infinito
E eu parado, sou paisagem
Sou miragem na margem
Do rio caudaloso do tempo
Por que pedala
A criança
Esta porta
Não há nada depois dela
Os caminhos viram vícios
As tristezas viram sítios
E os desenhos todos
Da sua infância sempre doce
Viram rabiscos
Nos playgrounds da alma
Nos desenhos do vento
Nos brinquedos da calma
Aprendi o teu beijo-mulher
Nos estalos da cama
No escuro dos becos
Derretendo na chama
Aprendi sua voz, o seu jeito
Aprendi o seu choro, seu riso
Aprendi como o vento aprende o lamento
No toque preciso do tempo